A terapia de casal é uma das modalidades de atendimento com crescimento mais expressivo nos últimos anos no Brasil. Mas muitos psicólogos e pacientes têm dúvidas sobre como funciona: o psicólogo atende os dois juntos? Há sigilo individual? O terapeuta toma partido? Neste artigo, respondemos essas questões e explicamos como o psicólogo pode oferecer esse serviço no consultório.
Sim. A terapia de casal é uma prática reconhecida e regulamentada dentro da psicologia clínica. O psicólogo com formação em Psicologia Clínica pode oferecer atendimento de casal sem necessidade de titulação adicional específica, embora uma formação especializada em terapia de casal ou familiar seja fortemente recomendada pela complexidade do trabalho.
O CFP não exige titulação específica para atender casais, mas o Código de Ética exige que o profissional só atue dentro dos limites de sua competência técnica. Portanto, antes de oferecer terapia de casal, é importante ter formação adequada na modalidade.
A terapia de casal é uma modalidade distinta da psicoterapia individual. Requer técnicas específicas, manejo diferente do setting e habilidades para trabalhar com a dinâmica relacional — não é apenas "atender dois ao mesmo tempo".
Na terapia de casal, o cliente é a relação, não cada parceiro individualmente. O terapeuta trabalha com a dinâmica entre os dois, os padrões de comunicação, os ciclos de conflito e as necessidades afetivas de cada um dentro da relação.
As sessões geralmente duram 60 a 80 minutos (um pouco mais do que as sessões individuais de 50 min). O casal vem junto e o terapeuta conduz a sessão facilitando a comunicação entre os dois. Sessões individuais intercaladas são comuns em algumas abordagens, mas não são a regra.
A frequência mais comum é quinzenal, embora alguns casais optem por sessões semanais em fases mais intensas do processo.
A terapia de casal costuma ser cobrada com um valor 30% a 60% maior do que a sessão individual, pela complexidade e duração maiores. Em capitais brasileiras, os valores variam de R$ 200 a R$ 500 por sessão. Consulte o artigo sobre precificação para entender como calcular o valor ideal para a sua realidade.
O sigilo na terapia de casal tem uma particularidade importante: o que é dito em sessão conjunta não é sigiloso entre os parceiros — ambos estavam presentes. O psicólogo, porém, mantém sigilo sobre tudo em relação a terceiros.
A questão mais delicada surge quando o terapeuta tem sessões individuais com cada parceiro: o que um diz ao psicólogo individualmente pode ou não ser trazido para as sessões conjuntas? Cada abordagem e cada profissional tem uma política diferente — e ela deve ser comunicada claramente ao casal no início do processo.
Muitos terapeutas de casal adotam a política de que informações reveladas individualmente não serão usadas sem autorização do parceiro que as revelou. Outros preferem não ter sessões individuais justamente para evitar essa tensão.
Desenvolvida por Sue Johnson, a TFE é considerada a abordagem com maior evidência científica para terapia de casal. Foca nos padrões de apego e nas emoções subjacentes aos conflitos relacionais. Pesquisas mostram melhora em 70-75% dos casais tratados.
Baseado em mais de 40 anos de pesquisa de John e Julie Gottman, o método identifica padrões destrutivos ("os quatro cavaleiros": crítica, defensividade, desprezo e stonewalling) e oferece técnicas específicas para substituí-los por padrões saudáveis.
A Terapia Cognitivo-Comportamental aplicada a casais trabalha com pensamentos automáticos negativos sobre o parceiro, crenças relacionais disfuncionais e habilidades de comunicação e resolução de conflitos.
Vê o casal como um sistema com padrões próprios de funcionamento. Foca nos ciclos relacionais repetitivos e nas regras implícitas que governam a relação.
Existem situações em que a terapia de casal conjunta não é indicada ou precisa ser interrompida:
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